A Rede Universidade Nômade,
Escola de Comunicação da UFRJ, Laboratório Território
e Comunicação (LABTeC da Escola de Serviço Social
da UFRJ), no âmbito do Programa Cultura & Pensamento do Ministério
da Cultura (MinC), realizam o seminário "A
Constituição do Comum: cultura e conflitos no capitalismo
contemporâneo"
O Encontro reunirá cientistas políticos
brasileiros e estrangeiros como Maurizio Lazzarato e Yann Moulier Boutang
numa ampla reflexão sobre cultura, urbanismo, racismo, comunicação,
estética, periferias e TV digital na atualidade. Do próximo
dia 28 de maio e até 1º de junho, a Escola de Comunicação
da UFRJ sedia o seminário internacional A Constituição
do Comum: cultura e conflitos no capitalismo contemporâneo , sob
a curadoria do cientista político Giuseppe Cocco e da diretora
da Escola de Comunicação da UFRJ Ivana Bentes.
O objetivo é refletir sobre trabalho, produção
cultural, trabalho informal,
enfim, o capitalismo contemporâneo e suas conseqüências.
A entrada é franca.
Todas as mesas-redondas ocorrerão no Auditório do CFCH
da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) no /Campus da Praia
Vermelha. Estarão reunidos 25 intelectuais brasileiros e estrangeiros
nas conferências. O seminário teve início em 21
de maio em Vitória.
Depois do Rio de Janeiro, o encontro ocorrerá em Salvador
(julho) e Belém
(agosto). A organização do seminário A Constituição
do Comum: cultura e conflitos no capitalismo contemporâneo alia
em sua organização entidades como a Rede Universidade
Nômade, Escola de Comunicação da UFRJ, Laboratório
Território e Comunicação (LABTeC da Escola de Serviço
Social da UFRJ), no âmbito do Programa Cultura & Pensamento
do Ministério da Cultura (MinC), com patrocínio da Petrobras.
Na abertura, dia 28, será lançado o oitavo número
da Revista Global/Brasil. A publicação, trimestral, é
parte de uma rede de ativismo transnacional que conecta ativistas, artistas,
professores, intelectuais, empresários, trabalhadores, estudantes,
sintonizada com os movimentos globais, de Seattle ao Fórum Social
Mundial, assim como com as redes locais de ativismo (pré-vestibulares
para negros e carentes, movimento hip-hop, coletivos de artistas).
"O traço peculiar entre esses seminários é
pensar a comunicação e a cultura associadas ao desenvolvimento
que, numa perspectiva política, se coaduna com o pensamento democrático
que se consolidou após as eleições de 2006 no Brasil.
O seminário busca ampliar o conceito de Cultura para além
da produção cultural e das linguagens artísticas,
entendendo a Cultura como o conjunto da produção simbólica
que se expressa também como Cidadania e Economia. Além
disso, objetiva a ampliação do público-alvo das
políticas e ações, passando este a ser o cidadão
e não apenas o artista e/ou o produtor cultural, e ainda pensar
não mais a produção e a difusão direta pelo
Estado mas a criação favorável à ampliação
da produção, difusão e fruição pela
sociedade", destaca o curador Giuseppe Cocco, que é professor
de Sociologia
do Trabalho na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e de
Coordenador Geral do Laboratório Território e Comunicação
(LABTeC).
Para Ivana Bentes, diretora da Escola de Comunicação da
UFRJ, e também curadora do evento, "o Seminário mostra
o lugar estratético da Comunicação e da Cultura
no capitalismo cognitivo (do conhecimento e da informação)
que explode as "especializações" e mobiliza
o amador universal (o cidadão que se apropria das tecnologias
e das linguagens), o comunicador social, o jornalista cidadão,
a potência criadora das periferias. O Brasil é um desses
laboratórios do capitalismo contemporâneo, onde as "indústrias
criativas" florescem e começam a ser apropriadas pelo "comum",
mas também é um território de conflitos, em que
se criminaliza a cultura da difusão e da cópia, se criminaliza
o "precariado cognitivo", e a produção das periferias".
A pesquisadora e professora do Programa de Pós-Graduação
da UFRJ, finaliza sua pesquisa sobre as "Periferias Globais",
movimentos culturais globais e imagens das periferias no audiovisual
e na mídia brasileira.
Dentre os convidados que compõem o seminário A Constituição
do Comum: cultura e conflitos no capitalismo contemporâneo destacam-se
o filósofo Maurizio Lazzarato (Universidade de Paris I), que
lançou recentemente o livro As revoluções do capitalismo
(Editora Record/Civilização Brasileira), inaugurando a
coleção A política no Império, coordenada
por Giuseppe Cocco, o economista francês Antoine Rebiscoul, fundador
e diretor geral da The Goodwill Company, empresa do grupo Saatchi &
Saatchi, o escritor Yann Moulier Boutang, autor do livro Da escravidão
ao trabalho assalariado, o economista Andrea Fumagalli, professor de
economia da Universidade de Pavia (Italia), participante da rede Universidade
Nômade e pesquisador das problemáticas do trabalho precário
e da renda universal, o filósofo brasileiro Peter Pál
Pelbart, e a pesquisadora de cinema e audiovisual,
Ivana Bentes, que finaliza sua pesquisa sobre as "periferias globais".
Também chamado de Economia do Conhecimento, o Capitalismo Cognitivo
revê paradigmas da teoria econômica e tem na micro-eletrônica
e nas novas tecnologias de comunicação e informação
a base de uma sociedade pós-industrial, na qual o valor decorre
da difusão acelerada e da lenta socialização do
saber. À vista de tais conceitos, os mentores do Capitalismo
Cognitivo propõem análises estruturais que abarcam também
os aspectos políticos, sociais e culturais do dito mundo globalizado.
Conheça um breve perfil dos participantes