UFRJ - Universidade Federal do Rio de Janeiro

Dissertações

Bárbara Bergamaschi Novaes

A Imagem Analógica, uma Experiência Contemporânea: Entre Desejo de Presença e de Memória

Nesta pesquisa analisamos seis filmes de cineastas brasileiros contemporâneos que, na contramão da hegemonia do digital, produzem imagens precárias se utilizando de tecnologias obsoletas como Super 8, VHS, 8mm e 16mm. No contexto de cena ampliada e do cinema expandido que se configuram a partir do trânsito e diversidade de suportes, dispositivos e experiências e nas multiplicidades temporais fragmentárias, vislumbramos os filmes em questão como potências sensoriais e afetivas, nos concentrando em suas forças poéticas e plásticas, mais do que na narrativa ou em seus aspectos linguístico-semióticos. De que modo a escolha pelo uso de uma imagem anacrônica transparece problemáticas do contemporâneo? Como o analógico pode ser vislumbrado como experiência do campo do afeto, de um desejo de memória e de presença, de outra ordem que não somente a do documental, histórico e factível? Propomos uma análise desses filmes dentro do campo de estudos pós-hermenêutico da materialidade da comunicação nos valendo de um aporte teórico de Gilles Deleuze, Jacques Aumont, Walter Benjamin, Andreas Huyssen e Hans U. Gumbrecht, entre outros.

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ANA MARIA BONJOUR DE PAULA COUTINHO

Estética Black Bloc: Investigando as Fronteiras Entre Arte e Vida a Partir da Experiência do Bloco Preto

Esta dissertação investiga as formações de Blacks Blocs no Brasil nos anos de 2013 e 2014tendo como foco a estética que a tática cria e difunde em suas ações diretas. Por estética Black Bloc compreendo o figurino preto e a máscara utilizados pelos adeptos, o movimento dos corpos no front das passeatasformando um corpo único e negro, os gestos de depredação. A teoria de estética da política de Jacques Rancière auxilia a compreensão da tática Black Bloc como um movimento político que, que no momento de sua formação produz o dissenso ao interferir na Partilha do Sensível. Os conceitos de Corpo sem Órgãos de Deleuze e Guattari são acionados para pensar o bloco preto como um Corpo sem Órgãos que vem se confrontar com o organismo cidade. As noções de polícia e política, tal como pensadas pro Rancière e aprofundadas por André Lepecki nas concepções de Coreopolítica e Coreopolícia servem de apoio para pensar o movimento do corpo Black Bloc e repressão efetuada pelos poderes para que seja mantida a cinética da cidade. Busca-se apresentar as singularidades do Black Bloc brasileiro seguindo o afeto do medo, acionado por eles e as formas que este sentimento atravessa as relações político-sociais no Brasil. A relação das cenas criadas pelo bloco preto, a difusão e agenciamento do medo operado pela mídia e a conseqüente legitimação do Estado e da repressão são questões do segundo capítulo. No terceiro capítulo, o trabalho foca o olhar para as cenas criadas pelo Black Bloc buscando compreender o que conduz seus praticantes a entenderem-na como um teatro ou como uma performance. Procura-se tomar o Black Bloc entre os campos do ritual e do espetáculo. Neste sentido busca-se investigar a fronteira entre arte e vida no contemporâneo, através da experiência do bloco preto que, com suas cenas e relação com o espectador, tencionam a própria teoria de dissenso de Jacques Rancière.

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BRUNO JATOBÁ DESCAVES

Da Marionete a Fio ao Objeto Performático: O Objeto Como Intercessor

Esta dissertação visa refletir sobre o objeto manipulado no campo da cena ampliada – arte e vida – , em práticas performáticas que partem das características inatas da marionete, abordadas por Heinrich von Kleist, para então transformá-la em objeto intercessor atuando na relação propositor e espectador participante. A pesquisa aborda questões que vão desde a metáfora marionete, um objeto com um movimento natural e gracioso, preso a fios e animado por um manipulador quase divino, até sua materialidade como objeto que sofre interações com as forças da Física. Neste processo torna-se importante ressaltar a escuta, o jogo e o ritual que foram abordados por autores como Donald Winnicott, Richard Schechner, Tadeusz Kantor, Lygia Clark, Allan Kaprow e conceitos trazidos da cultura oriental. Para este trabalho foram desenvolvidos objetos: espelhos manipulados desvendando reflexos; fios e cordas unindo pessoas em constelações; tubos e encaixes que expandem a consciência corporal, que funcionam como catalisadores do papel do objeto na relação com o manipulador e os participantes.

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CLAUDETE FELIX DE SOUZA

Teatro do Oprimido e Marias do Brasil: Arte e Lei na Transformação Social

Esta minha dissertação tem como objetivo: coletar, organizar e registrar materiais diversos sobre a metodologia do Teatro do Oprimido, ao longo de 30 anos de experiência teórica e prática desde 1986. Com a direção de Augusto Boal durante 23 anos, participei de projetos com criação de espetáculos e formação de multiplicadores e de grupos populares. Há 18 anos, estou na coordenação do grupo Marias do Brasil: atrizes e trabalhadoras domésticas. Em perspectiva auto-etnográfica, este estudo analisa a metodologia utilizada pelo grupo Marias do Brasil, comTeatro-Forum, Teatro Legislativo e Estética do Oprimido, à luz de conceitos tirados de estudos feministas. A construção de potência profanadora, a partir deste método, promove processos de visibilização do corpo feminino. Desta forma, pretendo levantar uma reflexão estético-política sobre a exposição do corpo da mulher em cena, como contribuição às lutas trabalhistas e feministas, sob o foco da arte e da lei na transformação social. Para alimentar esta escrita é fundamental a pesquisa sobre o trabalho escravo, desde o período colonial, para melhor compreender o pensamento social brasileiro e a função das trabalhadoras domésticas, na atualidade.

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JOÃO BERNARDO FERNANDES CALDEIRA

Fluxos, Paradas e Trânsito - Companhia de um ator: Solo Henrique Diaz

Este estudo examinará alguns dos procedimentos do encenador contemporâneo por meio dos três últimos trabalhos do ator e diretor Enrique Diaz, diretor artístico da Companhia dos Atores até 2012, fora do âmbito do grupo. Após mais de duas décadas experimentando os limites da representação e dos campos de tensão entre encenador, dramaturgo e ator, examinaremos o que a sua atual trajetória-solo poderia apontar a respeito das reconfigurações, agenciamentos e movimentos da própria encenação. Estabeleceremos contraponto entre os seus recentes processos de criação – de curta duração, nos quais o elenco dedica-se à apreensão e à representação de textos dramáticos escritos previamente aos ensaios – e a prática divergente na Companhia, em que a intenção de produzir uma cena múltipla, não totalizante, intertextual e multifacetada passava necessariamente pelas ideias de escritura cênica, processo colaborativo e performatividade. No âmbito da pós-modernidade, ou da ruína do paradigma moderno, é possível observar uma reconfiguração da cena que articula tanto a influência do ambiente investigativo e horizontal dos anos 60, sob influxo de Artaud, da contracultura e seus mais diversos reflexos, como a tradição moderna do teatro dramático. Visualizamos uma zona híbrida em que a cena contemporânea situa-se em um intervalo entre totalização e devir, árvore e rizoma, drama e performance, político e não político, arte e pensamento, realidade e ficção. Espaço liminar de suspensão e passagem, dentro e fora do tempo, como a fita de Moebius em que o dentro retorna como fora e vice-versa – um entrelugar.

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MARIA DE ABREU ALTBERG

Os Outros e Eu: Jogos de Autorrepresentação em Um Filme-Ensaio

Esta dissertação investiga estratégias de autorrepresentação no cinema e o papel do cineasta enquanto articulador de narrativas em obras que transitam na porosa fronteira entre documentário e ficção. Um tipo de representação que não é rigorosamente fechada em sua forma produz incertezas, brechas na narrativa,desarranjos em que o processo criativo acaba por se expor ou ao menos ser questionado pelo espectador. Problematiza-se o projeto inicial de realização do filme Picadeiros, que propõe que os próprios personagens (Marcio e Giuliana Libar) encenem suas memórias. Como referência, são discutidos títulos como Nanook, o esquimó, Eu, um negro, Um filme para Nick, além dos brasileiros Serras da Desordem, O céu sobre os ombros e Esse amor que nos consome. Conceitos da (auto)biografia trazidos por Pierre Bourdieu, Leonor Arfuch e Gabriela Lírio são apresentados. O papel da memória, matéria-prima do filme poposto, é observado do ponto de vista de autores como Walter Benjamin, Miguel Angel de Barrenechea e Paul Ricoeur. Richard Schechner e Ileana Diéguez Caballero tratam de jogo e liminaridade em uma representação mais livre em sua forma. O filme inicialmente pensado acaba por desdobrar-se no curta-metragem Sóis, de caráter pessoal e ensaístico. Arlindo Machado e Ismail Xavier trazem luz ao conceito de filme-ensaio, praticado por cineastas como Agnès Varda e Jean-Luc Godard.

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RAFAEL LEAL

Da Estrutura a Escritura:Processos Criativos na Dramaturgia Seriada

A presente dissertação consiste em um estudo de caso do processo criativo da série “A Escolha”, em duas versões distintas criadas a partir de duas perspectivas diferentes em criação na dramaturgia seriada. A primeira versão foi construída consoante uma perspectiva estruturalista, hegemônica nos Estudos de Roteiro, em que os valores são atribuídos a demandas estruturais, como personagem e conflito. A segunda versão, por sua vez, está centrada na noção barthesiana de escritura, uma perspectiva que engloba não apenas a História e a Ideologia como partes indissociáveis do texto, mas também se calca na reversibilidade entre leitura e escrita, o que atribui ao leitor/espectador um papel ativo na construção dos significados, permitindo infinitas possibilidades de sentido. Também ocupa papel fundamental na compreensão dos aspectos de visibilidade, enunciação e fruição das narrativas o conceito de dispositivo, aqui tomado em uma acepção expandida em relação à de Foucault, que ajuda a compreender a natureza das narrativas na contemporaneidade.

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RAQUEL DA SILVA ANDRÉ

O Colecionismos nas Artes Performativas - Colecção de Amantes

Esta dissertação investiga o colecionismo nas artes performativas e trata especificamente do processo de criação e apresentação de Colecção de Amantes – projeto que engloba uma coleção de performances e um espetáculo teatral realizados no Brasil e em Portugal (2014/15). Na primeira parte, aborda a noção de colecionismo através da investigação dos temas memória, arquivo e corpo, e da analise de trabalhos de teatro, dança e performance. São referências artísticas e teóricas neste primeiro capítulo: André Lepecki, Dani Lima, Diana Taylor, Eleonora Fabião, Fausto Colombo, Gustavo Ciríaco, Tehching Hsieh, Umberto Eco e Walter Benjamim. O segundo capítulo, apresenta e discute a performance Colecção de Amantes desde a criação do programa performativo e sua realização em três cidades (Rio de Janeiro, Lisboa e Ponta Delgada), até sua inclusão em festivais e seminário universitário. Nesta parte, obras das artistas Nan Goldin e Sophie Calle são analisadas, e temas de interesse tratados: a fotografia na intimidade e os entrelaçamentos vida/obra na prática da performance. Textos de Charlotte Cotton, José Gil, Jean Baudrillard, Richard Schechner e Rosalind Krauss compõem esta reflexão. O terceiro e último capítulo da dissertação é dedicado ao processo de criação e apresentação do espetáculo teatral Colecção de Amantes. Aqui, o teatro do grupo britânico Forced Entertainment e trabalhos solo de seu diretor, Tim Etchells, são referências importantes. Em parte, a escrita de O Colecionismo nas Artes Performativas – Colecção de Amantes tornou possível a elaboração do espetáculo Colecção de Amantes pois gerou referências fundamentais para a elaboração de sua dramaturgia, e, em parte, sua escrita é resultado direto das prática artísticas vivenciadas. Trata-se portanto do processo de uma pesquisa prático-teórica.

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SUSANA GONÇALVES COSTA AMARAL

Afeto e Produção de Presença em Elena e Ela Volta na Quinta: Uma Sensibilidade Performativa

Nos últimos cinco anos, o entrelaçamento entre realidade e ficção, autenticidade e encenação, pessoa e personagem, público e privado, intimidade e visibilidade, vida e performance; vêm contribuindo não só para a (re)construção de um vocabulário crítico do cinema brasileiro mas sobretudo, apontam para a hibridez da encenação contemporânea. A partir da análise da autoficcionalização em Ela Volta na Quinta, de André Novais, e em Elena, de Petra Costa, apontaremos para a continuidade de um processo dramatúrgico no qual a realidade não é apenas retratada, mas performada, construída a partir de um modo de fazer cinema que se ancora no presente como ato de intervenção no real.

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ALICE TIBERY RENDE

A Tranformação de Corpos: Um Acompanhamento de Experiências que Remodelam Sentidos da Normalidade

O corpo fora do padrão de pessoas com deficiências está conquistando cada vez mais espaço nas artes cênicas. O objetivo deste estudo é entender quais seriam as mudanças na sensibilidade dos espectadores e nos modos de construção da cena que vêm permitindo este movimento. Para tanto, três experiências em que artistas portadores de diferenças físicas e sensórias se envolvem com modalidades cênicas foram acompanhadas ao longo de 2014 na cidade do Rio de Janeiro: as oficinas técnica circense para deficientes ministradas na ONG Circo Crescer e Viver; as apresentações do artista cadeirante Rafael Ferreira na empresa Unicirco Marcos Frota e as oficinas de dança contemporânea para deficientes e não deficientes ministradas por Teresa Taquechel no teatro Cacilda Becker. Através destes estudos de caso, serão traçados afinidades e desafios da prática e pesquisa cênica em dança e em artes circenses por parte de artistas especiais, permitindo a reflexão sobre os sentidos políticos e estéticos que permeiam estes trabalhos.

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ADRIANA PAVLOVA SCHWARTZENBERG

Dança e Política: Movimentos da Lia Rodrigues Companhia de Danças na Maré

Esta dissertação investiga as transformações na pesquisa de dança desenvolvida pela Lia Rodrigues companhia de Danças após sua chegada ao Complexo de Favelas da Maré, Zona Norte do Rio de Janeiro, em 2004, para uma residência. A análise é feita de forma cronológica, a partir do estudo e mapeamento entrelaçado das operações políticas e estéticas da coreógrafa Lia e de sua equipe com a Maré durante os últimos 11 anos. Ideias e conceitos de estudiosos dedicados à pesquisa tanto de dança como de arte e política – como Hanna Arendt, André Lepecki, Eleonora Fabião, Jacques Rancière, Peter Pal Pélbart, Randy Martin, Andrew Hewitt e Danielle Goldman – são introduzidos e discutidos. O ponto de partida é uma breve história da coreógrafa e da companhia e a análise de seus modos de operação no contexto das economias da dança hoje. Encarnado, trabalho de 2005 que marca a chegada à Maré, é o primeiro espetáculo abordado, seguido da análise da trilogia sobre águas e coletividade: Pororoca (2009), Piracema (2011) e Pindorama (2013). Mais dois movimentos da coreógrafa e sua equipe na região são igualmente analisados: a abertura do Centro de Artes da Maré (CAM) – sede da companhia e palco para diferentes manifestações artísticas e sócio-políticas – e o Núcleo 2 – projeto de formação técnico, artístico e profissional com jovens, que tornou-se um forte elo entre Lia Rodrigues, dançarinos e comunidade. Outro ponto importante é a apresentação de processos de criação da companhia e a participação da dramaturgista Silvia Soter. É também objetivo do estudo refletir sobre a representação da favela carioca e discutir segurança pública na Maré através de reflexões de Jailson de Souza e Silva e Eliana Sousa Silva.

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