UFRJ - Universidade Federal do Rio de Janeiro

Dissertações

ALICE TIBERY RENDE

A TRANSFORMAÇÃO DE CORPOS: UM ACOMPANHAMENTO DE EXPERIÊNCIAS QUE REMODELAM SENTIDOS DA NORMALIDADE

O corpo fora do padrão de pessoas com deficiências está conquistando cada vez mais espaço nas artes cênicas. O objetivo deste estudo é entender quais seriam as mudanças na sensibilidade dos espectadores e nos modos de construção da cena que vêm permitindo este movimento. Para tanto, três experiências em que artistas portadores de diferenças físicas e sensórias se envolvem com modalidades cênicas foram acompanhadas ao longo de 2014 na cidade do Rio de Janeiro: as oficinas técnica circense para deficientes ministradas na ONG Circo Crescer e Viver; as apresentações do artista cadeirante Rafael Ferreira na empresa Unicirco Marcos Frota e as oficinas de dança contemporânea para deficientes e não deficientes ministradas por Teresa Taquechel no teatro Cacilda Becker. Através destes estudos de caso, serão traçados afinidades e desafios da prática e pesquisa cênica em dança e em artes circenses por parte de artistas especiais, permitindo a reflexão sobre os sentidos políticos e estéticos que permeiam estes trabalhos.

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ADRIANA PAVLOVA SCHWARTZENBERG

DANÇA E POLÍTICA: MOVIMENTOS DA LIA RODRIGUES COMPANHIA DE DANÇAS NA MARÉ

Esta dissertação investiga as transformações na pesquisa de dança
desenvolvida pela Lia Rodrigues companhia de Danças após sua chegada ao Complexo de Favelas da Maré, Zona Norte do Rio de Janeiro, em 2004, para
uma residência. A análise é feita de forma cronológica, a partir do estudo e
mapeamento entrelaçado das operações políticas e estéticas da coreógrafa Lia
e de sua equipe com a Maré durante os últimos 11 anos. Ideias e conceitos de
estudiosos dedicados à pesquisa tanto de dança como de arte e política – como
Hanna Arendt, André Lepecki, Eleonora Fabião, Jacques Rancière, Peter Pal
Pélbart, Randy Martin, Andrew Hewitt e Danielle Goldman – são introduzidos e
discutidos. O ponto de partida é uma breve história da coreógrafa e da
companhia e a análise de seus modos de operação no contexto das economias
da dança hoje. Encarnado, trabalho de 2005 que marca a chegada à Maré, é o
primeiro espetáculo abordado, seguido da análise da trilogia sobre águas e
coletividade: Pororoca (2009), Piracema (2011) e Pindorama (2013). Mais dois
movimentos da coreógrafa e sua equipe na região são igualmente analisados: a
abertura do Centro de Artes da Maré (CAM) – sede da companhia e palco para
diferentes manifestações artísticas e sócio-políticas – e o Núcleo 2 – projeto de formação técnico, artístico e profissional com jovens, que tornou-se um forte elo entre Lia Rodrigues, dançarinos e comunidade. Outro ponto importante é a
apresentação de processos de criação da companhia e a participação da
dramaturgista Silvia Soter. É também objetivo do estudo refletir sobre a
representação da favela carioca e discutir segurança pública na Maré através
de reflexões de Jailson de Souza e Silva e Eliana Sousa Silva.

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